Conversa de Botequim

Todo e qualquer assunto instigante, nascido em mesa de bar, em roda de violão, ajuntamento de deliciosas mentes juvenis merece um brinde. Puxe sua cadeira, sente-se com a gente, que a próxima rodada é por nossa conta.

Conversa de Botequim

Todo e qualquer assunto instigante, nascido em mesa de bar, em roda de violão, ajuntamento de deliciosas mentes juvenis merece um brinde. Puxe sua cadeira, sente-se com a gente, que a próxima rodada é por nossa conta.
<  Março 2009  >
S T Q Q S S D
            1
2 3 4 5 6 7 8
9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30 31          
Receba os posts
Terra Blog

15.10.07

SImples assim

Quer mesmo saber?
Saudades d'ocê...
Inté!

-deb-

12.10.07

Tempestade

E de repente, todo aquele meu amor disperso e a muitos distribuído fez-se em um só. Sinto-me quase que doente.
Já falei que eu amo demais? Então. O que antes era talvez virtude, hoje é de certo vício.
(Eu e meus excessos vez-ou-outra nos damos muito mal.)
Perdi. Mas, ao invés de me rebelar contra tal perda, pareço não querer me desvincular desse pensamento obcecado que tanto insiste em me machucar.
Só quero. Estupidamente, quero. Já me iludi ciente da subseqüente desilusão. E não deixo de querer e, pior, de querer querer.
Quero sim maisoutrosamores por meus portos, não nego. Só que acima disso (medos! – daqueles medos com lágrimas) quero ele. Sim, ele! Ele que não me quer. Que nada sabe de mim e com toda sua deliciosa indiferença nem busca saber. Que até me olha, mas não me vê.
Posso até estar “tempestando” por copos d’água: quero sumir. Sumir até reencontrar uma réstia minha dentro de mim. Até sentir a dor dos meus dedos cortados pelos cacos de um passado próximo que, mesmo sangrando, mesmo doendo, eu preciso tatear – na esperança de quemsabe me achar.
A verdade é que eu não mais me sinto. Nem mais me vejo. Muitas vezes penso até que deixei de existir. E essa nova existência que se abrigou em mim só sabe me chorar.
Quero correr rumoaohorizonte. E quando lá eu chegar, se meu cansaço me lembrar e me fizer sentir o que um dia fui, talvez sinta uma vontadezinha de voltar.

 

Sol

29.09.07

Uma dorzinha sorridente

E muitas vezes eu morro de saudades.
Mas delas mesmas, renasço.
Elas são minha dor e meu alimento.
Tudo há mesmo de virar memória, não?
Mas não são todas as memórias memoráveis – aparente, mas falsa contradição.
As não-significativas são engolidas pelas dolorosas, daí a dor. A dor de amar. De amar o que já se foi, o que cá não mais está, ou mesmo o que se quis ir.
Saudades até do que não foi. Daquilo que nunca existiu efetivamente, mas que se criou dentro da gente – mentira mais cheia de verdade que há.
Saudades do ontem, porque hoje nunca é ontem. (O ontem nunca está temporalmente presente.)
Saudades de ser o que eu não mais sou. Bem ou mal, ninguém nunca está plenamente satisfeito com o que se é.
Amo e sinto saudades.
E às vezes elas se tornam ainda mais profundas, tal qual agora. Nessas horas, elas tomam conta de mim e me fazem querer o que não é.
Mas tem jeito não. Se pra não sentir dor, for preciso não sentir amor, quero morrer da morte mais dolorosamente doída. E tenho dito.

 

[Saudades da eterna amada mestra.]

 

 

Sol

19.09.07

Perdida dentrodemim

É tanto o que se passa entre meus pensamentos, que às vezes tenho medo - medo de mim mesma, de descobrir quem essencialmente sou. Sou tantos eus, e tantos novos a cada dia, a cada idéia, a cada brisa, que eles já não mais se cabem em mim. Quando penso que me afirmo, que enfim me decido, ao mesmo tempo me surgem loucuras, incertezas - e o projeto de firmeza em um instante se esvai. Mas também, não posso reclamar. Acho mesmo que a minha felicidade está é aí, no meio de todas essas dúvidas e expectativas, mil vezes infundadas. Amo tanto, que me perco. Perco-me em meio ao meu amor. Umas vezes já ouvi dizer que excessos fazem mal... Será? Se sim, pobre de mim! Sou espontaneamente excessos puros! Desconheço outro alguém tão sem medida... Quero gritar, correr, dizer a verdade! Mas como? Hoje, nem minha falta de medida me permite tamanha insanidade... Acho que é esse o problema! Nunca havia chegado nesse extremo! Tudo o que quis, por mais que nem sempre permitido, foi sempre ao menos possível. Mas e agora? O que faço eu? Cedo-me à insanidade ou me contento com o não-ter? Não! Contentar-se definitivamente não é pra mim! Tal qual sempre, arriscarei! (Mas ineditamente, estou com medo de me machucar.)

Sol

30.08.07

Caminhando sobre a dor

pisando em cacos de vidro
coração estraçalhado
esperanças contidas
ilusões confirmadas
um passo à frente
e cortes profundos
voz sem força
ódio do mundo
coisas erradas
dia-a-dia
sangrando caminho
jornada vazia
olhos manchados
boca sem fala
olhos calados
boca fechada
caminho na dor
lembranças partidas
fé e rancor
e mais despedidas
sonhos quebrados
face ferida
templos sagrados
agora sem vida
desprezo tão mudo
destinas a mim
descrente de tudo
humilho-me assim
palavras confusas
amor evidente
ações obtusas
um fim descontente
unindo os cacos
dos erros passados
caminhos errados
escolho o pecado
certezas futuras
acolhem os fatos
e lágrimas puras
caem no asfalto
serão cicatrizes
memórias reais
serão infelizes
lembranças fatais
assim como o caos
dispensam finais
e vivem pra sempre
pois são imortais

-Débora Luise-